Professor cria armadilha com texto invisível e reprova 91% da turma por uso de IA

Professor cria armadilha com texto invisível e reprova 91% da turma por uso de IA

Um professor universitário dos Estados Unidos chamou atenção nas redes sociais ao revelar que reprovou 32 dos 35 alunos de uma turma após criar uma estratégia para identificar o uso de inteligência artificial durante uma avaliação. O caso ganhou repercussão depois que o docente compartilhou a experiência em vídeos publicados no TikTok.

O responsável pela iniciativa é Jason Gibson, historiador e professor da Alcorn State University. Na atividade, os estudantes deveriam escrever uma redação sobre a Revolução Industrial. O diferencial estava no próprio enunciado: havia uma instrução escrita em letras brancas sobre fundo branco, tornando o texto invisível para quem apenas lesse a prova normalmente.

A mensagem orientava que a palavra “Madagascar” fosse incluída em algum trecho da redação, embora ela não tivesse qualquer relação com o tema proposto. Segundo Gibson, estudantes que copiaram o enunciado completo e o colaram em ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, acabaram recebendo respostas que incluíam automaticamente a palavra escondida.

Durante a correção, o professor encontrou diversas redações mencionando “Madagascar” em contextos completamente desconexos da Revolução Industrial. Para ele, isso demonstrou que os alunos utilizaram inteligência artificial e entregaram o material sem sequer revisar o conteúdo gerado.

Após divulgar as notas, Gibson encaminhou aos estudantes uma explicação detalhando o motivo das reprovações. No comunicado, anexou uma captura de tela destacando a instrução invisível e afirmou que a evidência só apareceria para quem tivesse copiado integralmente o enunciado e colado a resposta produzida pela ferramenta de IA sem qualquer conferência.

O professor também abriu prazo para recursos. Apenas dois dos 32 estudantes reprovados contestaram o resultado. Um deles conseguiu reverter a nota ao explicar que utilizava o computador no modo escuro, configuração que permitia visualizar normalmente o texto branco inserido no enunciado.

A estratégia gerou debates nas redes sociais. Alguns usuários levantaram a possibilidade de que estudantes com deficiência visual, especialmente aqueles que utilizam leitores de tela, pudessem ser prejudicados. Gibson respondeu que nenhum aluno daquela turma fazia uso de tecnologias assistivas.

Apesar da repercussão, o docente afirmou que nunca pretendeu reprovar a maior parte da classe. Segundo ele, o objetivo era verificar a autenticidade dos trabalhos e estimular os estudantes a produzirem avaliações com base no próprio conhecimento, em vez de dependerem integralmente de ferramentas de inteligência artificial.

nabocadmatilde

Inspirado na personagem Matilde, conhecida por não ter “papa na língua” o Na Boca de Matilde nasce com a missão de informar, provocar reflexão e divertir, sempre com autenticidade e coragem.

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